SEC e CFTC dos EUA divulgam orientação conjunta: maioria dos criptoativos não são títulos
Em uma decisão histórica para o setor de ativos digitais dos Estados Unidos, a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) emitiram uma orientação conjunta afirmando que a maioria dos criptoativos não são títulos (valores mobiliários).
Essa interpretação coordenada traz uma clareza há muito esperada sobre como as leis federais se aplicam às criptomoedas, ajudando a definir quando um token é considerado um título e quando se enquadra na classificação de commodity.

Abordagem unificada para a regulação de cripto
Durante anos, a SEC e a CFTC adotaram abordagens diferentes para regular os criptoativos.
- A SEC aplicava o Teste de Howey para classificar muitos tokens como títulos
- A CFTC tratava criptomoedas principais como Bitcoin e Ethereum como commodities
Essa divisão gerou incerteza, com empresas frequentemente enfrentando ações de execução caso a caso.
A nova interpretação conjunta alinha ambas as agências em um framework compartilhado, reduzindo inconsistências e ambiguidades legais.
Classificação clara para ativos digitais
A orientação introduz um sistema estruturado de classificação:
- Commodities (ex: Bitcoin)
- Títulos (em contextos específicos)
- Stablecoins
- Tokens utilitários
- Colecionáveis digitais
Pontos cruciais:
- Um token por si só pode não ser um título
- Mas pode se encaixar nas leis de títulos se fizer parte de um contrato de investimento
- Ativos podem sair da classificação de títulos quando as condições deixarem de se aplicar
Declarações chave dos reguladores
Paul Atkins classificou a medida como um grande avanço:
“Esta interpretação oferece aos participantes do mercado uma compreensão clara de como os criptoativos são tratados sob as leis federais de valores mobiliários.”
Ele enfatizou ainda que a orientação reconhece um ponto amplamente debatido:
a maioria dos criptoativos não são inerentemente títulos.
Michael Selig destacou que a decisão traz clareza para inovadores e investidores, alinhando a supervisão regulatória entre agências.
Fim da “regulação por execução”
Antes desse framework conjunto, a regulação de cripto nos EUA era frequentemente moldada por ações de execução e decisões judiciais, em vez de regras claras.
Isso gerou um ambiente de risco:
- Tokens podiam ser rotulados como títulos após o lançamento
- Empresas tinham incerteza sobre obrigações de conformidade
- A inovação era atrasada por ambiguidade legal
A nova interpretação reduz a “regulação por execução”, dando diretrizes mais claras antes do lançamento de produtos.
Alinhamento com a política cripto mais ampla dos EUA
A declaração conjunta se alinha com esforços legislativos no Congresso, incluindo a Lei GENIUS, voltada para um framework completo de ativos digitais.
Em paralelo, reguladores já apoiaram a adoção institucional:
- Aprovação de ETFs de Bitcoin e Ethereum à vista
- Flexibilização de certas restrições bancárias
- Maior integração do cripto nos mercados financeiros tradicionais
O que isso significa para a indústria cripto
O alinhamento entre SEC e CFTC marca um ponto de virada para o mercado cripto dos EUA.
Implicações principais:
- Limites jurisdicionais mais claros entre reguladores
- Menor risco legal para projetos cripto
- Maior confiança para investidores institucionais
- Base mais estável para a inovação
Ao afirmar explicitamente que a maioria dos criptoativos não são títulos, os reguladores removem uma das maiores incertezas do setor.
Conclusão
A orientação conjunta da SEC e CFTC representa um dos desenvolvimentos regulatórios mais importantes da história do cripto nos Estados Unidos.
Depois de anos de supervisão fragmentada, as agências caminham para um framework coordenado e transparente, que reflete melhor a complexidade dos ativos digitais.
Para a indústria, essa mudança pode abrir caminho para maior adoção, conformidade clara e crescimento sustentado.

