Resumo Executivo: Banco da Coreia propõe regulamentação estrutural para cripto após incidente na Bithumb
Após o incidente de alta visibilidade na Bithumb, o Banco da Coreia (BoK) está liderando uma mudança estrutural na regulamentação de criptomoedas. Ao propor controles do mercado de ações tradicional — como circuit breakers e conciliação em tempo real — a Coreia do Sul busca unir ativos digitais ao sistema financeiro tradicional.
Além de correções operacionais
Por anos, a regulação cripto na Coreia do Sul focou em “consertar” falhas operacionais. Porém, novo relatório do Banco da Coreia indica uma mudança fundamental: em vez de apenas ajustar processos de corretoras, o banco central quer reformular toda a estrutura do mercado, espelhando a Bolsa da Coreia (KRX).
Essa mudança vem após o incidente da Bithumb em fevereiro de 2026, que expôs fragilidades críticas na aprovação de transações e conciliação de livros. Enquanto a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) respondeu inicialmente com controles operacionais, o Banco da Coreia agora busca salvaguardas sistêmicas.
Circuit breakers e gestão de volatilidade
A proposta mais impactante é a introdução de circuit breakers — mecanismos que interrompem negociações durante oscilações extremas para evitar vendas de pânico e cascatas técnicas.
O Banco da Coreia defende que o mercado cripto, 24/7 e com alta participação de investidores pessoa física, é especialmente vulnerável a flash crashes. Com pausas sistêmicas, o regulador busca:
- Gerenciar volatilidade anômala: interromper loops algorítmicos.
- Proteger investidores pessoa física: dar tempo para análise humana em crises.
- Garantir formação de preços: evitar execuções a preços distorcidos na falta de liquidez.
Novo padrão de conformidade: auditoria em tempo real
As regras propostas, que devem ser codificadas na futura Lei Básica de Ativos Digitais, incluem requisitos ao estilo TradFi que elevarão a barreira para plataformas menores:
- Verificação mensal de ativos: auditorias obrigatórias por empresas independentes para comprovar lastro 1:1 dos ativos dos clientes.
- Conciliação rigorosa: eliminar atrasos entre execução e liquidação, garantindo precisão contábil permanente.
- Correção de falhas na aprovação: evitar acúmulo de inconsistências nos livros das corretoras.
Implicações globais: dominância do won sul-coreano
A Coreia do Sul é motor global de liquidez cripto. Em 2025, o volume negociado em won sul-coreano (KRW) ultrapassou US$ 600 bilhões, com plataformas locais como a Upbit liderando volumes globais.
Mudanças na estrutura coreana repercutem mundialmente. Para corretores B2B e exchanges globais, a “tradificação” do mercado significa maiores custos de conformidade, mas também ambiente mais previsível para capital institucional.

Tendência a regra única e unificada
A medida do Banco da Coreia sinaliza o fim do “excepcionalismo cripto”. Reguladores abandonam regras separadas para ativos digitais, aplicando princípios consolidados das finanças tradicionais (TradFi) ao blockchain. Com entrada institucional — como a compra da Korbit por Mirae Asset por US$ 92 milhões — a profissionalização do mercado coreano é inevitável.

